Quem sou eu, o que é este blogue

1. Clique na pastinha no canto superior esquerdo deste website (ao lado das três barrinhas na horizontal). Ela te dá acesso ao sistema de busca por palavra-chave, à lista dos artigos mais recentes, à busca por categoria, e à lista de artigos por mês. Até agora, pode aproveitar a leitura de 336 artigos — ao todo, são 963.538 palavras, o equivalente a mais ou menos onze livros.

2. Meu nome é Márcio Simões. Sou um jornalista profissional apaixonado pela arte e o ofício de escrever bem, com simplicidade, clareza, vigor. Ainda nos meus 20 anos, descobri que havia uma correlação forte entre escrever e pensar — só consigo escrever bem quando já ajeitei os pensamentos; mas, para ajeitar os pensamentos, preciso rabiscar, desenhar — e escrever. Depois que descobri essa retroalimentação entre escrever e pensar, naturalmente fui me aproximando de três outros amores, três objetos de estudo que me ajudam a pensar e que são, ao mesmo tempo, três assuntos sobre os quais é delicioso escrever: filosofia, lógica, e matemática.

3. Quando era adolescente, fiquei obcecado por eletricidade e eletrônica. Lia tudo o que podia a respeito. Na hora de decidir o que fazer no ensino médio, optei por colégio técnico em eletrônica e trabalhei como técnico por nove anos. No fim das contas, me especializei em eletrônica digital e sistemas computadorizados de telecomunicações.

4. Mas eu gostava mesmo era de escrever. Mais do que instalar uma central telefônica digital e colocá-la para funcionar, eu gostava mesmo era de escrever o relatório de instalação. Mais do que explorar as várias maneiras pelas quais construir um circuito eletrônico para cumprir determinadas funções, eu gostava mesmo era de escrever o relatório de pesquisa. Quando chegou a hora de fazer faculdade, estudei muito e, em 1991, entrei no curso de jornalismo da Universidade de São Paulo. A relação candidato-vaga era de 47 para 1, mas tive sorte no vestibular: tirei 10 em física, especialmente porque caíram várias questões sobre eletricidade.

5. Comecei a trabalhar como jornalista em 1995, antes mesmo de concluir o curso de jornalismo. Comecei como repórter na Revista Nacional de Telecomunicações, que na ocasião era uma revista mensal bem conhecida. Desde então, tenho trabalhado para editoras jornalísticas especializadas em revistas, e já realizei todo tipo de função: repórter, redator, editor assistente, editor, editor executivo, e diretor de redação. Ao todo, chutando por baixo, escrevi umas 2.500 matérias e editei umas 5.000 matérias de 80 jornalistas. Hoje sou um jornalista freelancer.

6. Em 2010, o mundo deu uma volta a meu favor: a Editora Segmento me ofereceu a oportunidade de liderar o projeto da revista Cálculo: Matemática para Todos. Eu nunca tinha pensado na possibilidade de produzir uma publicação jornalística sobre matemática, mas, logo na primeira reunião na sede da editora, quando me explicaram o projeto, eu disse: “Que ideia formidável! Como nunca pensei nisso antes?!” Era a oportunidade perfeita para combinar meu amor ao ato de escrever com meu amor por matemática e por jornalismo. A Cálculo foi uma revista mensal, que vendíamos em bancas de jornais de todo o Brasil. Durou 53 edições, durante as quais eu e uma equipe diligente de jornalistas e artistas gráficos produzimos 3.300 páginas editoriais (o equivalente a 7.500 folhas A4), 5.900 fórmulas e expressões matemáticas, 1.500 gráficos e ilustrações. (Números arredondados.) Tudo isso só foi possível porque nossos entrevistados foram imensamente tolerantes conosco, pois torrávamos a paciência de muita gente para publicar uma boa revista todo mês.

7. Este blogue Imaginário Puro contém muitas das matérias que publiquei na Cálculo, todas revisadas e ligeiramente reescritas, mas ele não é mera continuação do projeto editorial da Cálculo. Ele é mais um blogue sobre métodos formais para apoiar o pensamento sistemático. A matemática é o principal desses métodos, mas não o único: às vezes escrevo sobre lógica, e muitas vezes sobre as ferramentas intelectuais construídas com matemática e lógica — máquinas de estados finitos (incluindo computadores), sintaxe e semântica formais, probabilidade, teoria da informação, teoria das decisões e dos jogos. De vez em quando também escrevo sobre o ato de escrever, porque, a meu ver, o melhor jeito de aproveitar o pensamento sistemático é transformá-lo em texto; além disso, só escreve com precisão e clareza o sujeito que aprendeu a pensar sistematicamente.

8. Se você está chegando agora, alguns dos textos mais lidos deste blogue são:

O lamento de um matemático

Sonhos com premonição de morte

Quem já viu algo remotamente parecido com o sistema solar?

Teoria dos números: muita coisa boa num assunto só

Métodos formais para filósofos novatos: mais eficientes que lógica

Ciência, matemática, ou filosofia?

A absurda eficácia da matemática: uma explicação idealista

Cálculo no ensino médio: já passou da hora

Objetos abstratos = Procedimentos

Duas coisas bem diferentes: matemática e razão

Por que ler filósofos como Nietzsche

Dois dados para meditar sobre realidades alternativas, crenças, e ciência

Entre os textos mais lidos, estão quatro sobre a arte de escrever:

Dois princípios para escrever bastante bem

A escada da abstração: não existe palavra concreta

Plural indevido: uma simples questão de aritmética

William Zinsser, o professor que nunca vi

9. Neste blogue há dois cursos completos de introdução ao cálculo diferencial e integral. Um deles é minha versão brasileira do livro Calculus Made Easy, do físico britânico Silvanus P. Thompson, publicado pela primeira vez em 1914 pela Macmillan. Esse livro faz sucesso até hoje, tanto por causa do tom bem-humorado quanto por causa da abordagem: o autor recorre apenas a noções matemáticas comuns e evita demonstrações detalhadas. Para ver o último capítulo, clique aqui; no topo do artigo, achará o link para cada um dos demais capítulos. O outro curso é uma introdução ao cálculo por meio do sistema dos números hiper-reais. Clique aqui para ter acesso ao primeiro capítulo; no pé do arquivo, achará o link para cada um dos demais capítulos. Em quase todo curso moderno de introdução ao cálculo, em geral o professor recorre a limites, mas, entre limites e hiper-reais, eu prefiro hiper-reais; pois o pré-requisito básico para entender hiper-reais é a lógica de predicados de primeira ordem, que é mais simples e útil que a teoria sobre limites. Se o leitor tiver de escolher apenas um dos dois cursos, prefira o segundo, no qual há boas demonstrações para quase todos os teoremas; além disso, o sistema dos números hiper-reais é fantástico.

10. Caso queira entrar em contato comigo, escreva para {ImaginarioPuro.MarcioSimoes@gmail.com}.

27 Comments

  1. E eu angustiado por não saber o que fazer depois da ultima edição da revista calculo….Márcio, você também em que entrar nas ondas dos vlog´s. Farei de tudo para divulgar o seu canal. Desculpa ser inconivente, mas eu gosto demais do seu trabalho, então terei de falar.Você tinha que fazer uma postagem do mesmo tema no youtube e em escrita, para atrair um publico maior. Puxa, com suas entrevistas (que pode ser um grande diferencial) e seus artigos inigualáveis tem tudo para dar certo. Pode fazer videos longos com base em certos artigos, as entrevistas só precisariam do áudio e da foto, sem necessidade de um viedo do entrevistado. E umas chamadinhas como as pequenas informações que tinha nas paginas “parênteses”. Você tem tudo para ombrear o nerdologia! Muito obrigado pelo blog!

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  2. Olá, Marcio. Sou mais um dos “órfãos” Revista Cálculo e, como muitos, fiquei impressionado com a sua qualidade editorial, o capricho na elaboração dos artigos, o texto limpo e elegante. Também fiquei muito triste com o fim da publicação em 2015. Foi uma grata surpresa encontrar – nas minhas andanças pela internet – a revista Imaginário Puro. Vi nessa publicação eletrônica uma continuação (e uma extensão) da já saudosa revista, porém com todas as vantagens de um conteúdo formatado para a web. Fiquei fascinado com a quantidade de material disponível, pelas novas postagens, pela elegância visual (não tem como não lembrar da Cálculo de novo!), pela qualidade jornalística dos artigos e pelas novas possibilidades (que o conteúdo estático de uma publicação impressa não permite contemplar). Também estou ansioso pelas matérias. Parabéns pela inciativa!

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    1. Oi, Alcindo: Obrigado pelo elogio. O próprio blog é a publicação, isto é, sou jornalista e produzo este blog com os mesmos métodos que usaria se estivesse escrevendo para um jornal ou revista de caráter jornalístico, por exemplo um jornal de divulgação científica. Divirta-se e volte sempre!

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  3. Olá Márcio, ótima iniciativa dar continuidade a um trabalho que leva muita informação, não só para os amantes da matemática como para todos que desejam obter conhecimento, sobre assuntos que estão no nosso dia a dia nos levando a compreendê-los através da matemática. Tenho várias revistas da Cálculo, adquiridas quando lecionei em uma escola pública no período da minha formação. Parabéns!!!

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  4. Boa tarde Márcio,
    Achei lamentável o que aconteceu com a revista Cálculo. Foi o mesmo que aconteceu com outra revista: Quanta – que teve uma vida até mais curta. Abordava assuntos de ciências. Parece que para o Brasil essas publicações não despertam interesse. Daí pode-se entender facilmente as colocações vexatórias que nossos alunos conquistam em exames internacionais em relação à matemática e ciências. Um país consumidor de tecnologia mas não produtor. Triste. Você já sondou outras editoras para ver se há interesse em retomar a publicação dessa revista ?? Gostaria de parabenizá-lo pela iniciativa e realmente demorei muito para saber que esse blog existia. Vamos em frente !!! Parabéns !!!

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    1. Oi, Nilton, obrigado pela gentileza das palavras!

      Está difícil demais vender revistas em banca, especialmente no caso de uma revista como a “Cálculo”, cujo custo deve ser inteiramente coberto pelos leitores. (É quase impossível vender anúncios para revistas como a “Cálculo” ou a “Quanta”.) Acho pouco provável que os leitores paguem 25 reais, 30 reais por uma revista — é isso o que a “Cálculo” deveria custar para cobrir os custos de produção e gerar algum lucro.

      Enfim, a “Cálculo” foi uma aventura maravilhosa, mas temo que não haja mais as condições mínimas necessárias para existir uma revista como ela.

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      1. Oi Márcio, Então… por que você não pensa em uma revista eletrônica ?? Os custos seriam muito menores. Na verdade, você poderia ampliar essa ideia e criar até um portal. Entrevistas, por exemplo, você poderia gravar em vídeo. A mídia hoje pode ser diversificada. O que importa é ter conteúdo de qualidade. E isso, tem de sobra. Abraço.

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  5. Parabéns Márcio!
    O blogue está incrível!
    Sempre fui fascinado nos seus textos que introduziam cada revista Cálculo. Estou muito triste pelo fim da revista. Mas ao mesmo tempo contente por ter descoberto o “Imaginário Puro” e surpreso por saber a mente por trás deste blogue incrível.
    Muito bom ler os seus textos novamente!
    Parabéns!

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  6. Olá Márcio.
    Mais uma vez o parabenizo (já o tinha feito quando o blog foi criado) pelo conteúdo que tem disponibilizado regularmente. Tem sido um alento para nós, colecionadores da Revista Cálculo (tenho todos os exemplares) e que ficamos sem a publicação nas bancas dessa disciplina que tanto amamos..
    Gostaria, para finalizar, de te fazer uma sugestão, para quando for possível. Que tivesse em algum local da “Imaginário Puro” uma relação dos assuntos tratados, como se fosse um sumário, onde pudéssemos clicar e ir diretamente para o mesmo. É que às vezes preciso de algum texto complementar nas minhas aulas e lembro que você já abordou o assunto em algum dia no site e fico a procurar aleatoriamente.
    Valeu!!!

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    1. Oi, Fernando: você pode usar o sistema de busca do WordPress; clique na pastinha no canto superior esquerdo do website. Um dia, contudo, vou comprar um gerador automático de índice remissivo e publicar, de quando em quando, um índice remissivo das postagens. Abraço!

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